quarta-feira, novembro 30, 2005

16 DE NOVEMBRO DE 1976

Numa atitude clara, firme e premonitória do que seria a futura Região Autónoma e do seu peso político no todo português, a Junta Regional dos Açores, em funções havia menos de três meses, divulgava na noite de 16 de Novembro, através da também recém-criada televisão e pela boca do seu vogal José António Martins Goulart, o seguinte comunicado:

"A Junta Regional dos Açores, em face dos últimos acontecimentos político-militares vividos em Lisboa que parecem revelar a impossibilidade de governar democraticamente o País e põem em perigo iminente as liberdades individuais, podendo conduzir a uma situação de guerra civil e a uma consequente ditadura de esquerda ou de direita, sente a obrigação de tomar uma posição perante o País, e muito especialmente perante o povo açoreano.
O apoio que tem sido prestado pela grande maioria do povo português ao VI Governo não pode por si garantir que ele possa governar.
A Junta Regional dos Açores exige que as forças militares e militarizadas cumpram o seu dever, fazendo respeitar as leis que sejam o garante das liberdades individuais.
Sem isso não há verdadeiro Governo no País e os Açores não poderão ficar condicionados por um estado de anarquia.
A Junta Regional recusará toda a governação não representativa e actuante contra a vontade da maioria do povo.
A Junta Regional toma sobre si a responsabilidade de continuar a assegurar em qualquer circunstância ao Povo Açoriano a paz, o trabalho e as liberdades individuais, necessárias a uma vida democrática.
Neste momento grave, contamos com o apoio da população dos Açores e das forças políticas e militares representativas da Região."


(Com um especial agradecimento ao Dr. Dionísio de Sousa que me facultou o texto integral.)